Proxima Exposição
PAULA CRUZ
O Corpo, a Mente, a Alma e o Espírito
Inauguração_18 Setembro_16h00
Patente ao público até 23 de Outubro de 2010

O estímulo transformador sustentado pelo sentimento da «dor»
Pintar para mim é um legado de fragilidade e força, onde perscruto a minha essência, a existência e linearidade de contextos psíquicos, como uma constante emanação da alma, exaltando o lado espiritual, holístico. A conexão ao todo é a forma de existir e coexistir.
O Homem está imerso na grande cadeia evolutiva do Ser. (cadeia em vez de cadeira)
A matéria, a sensação, a percepção, o impulso, a imagem, o símbolo e o conceito.
As tendências psicológicas representam a conexão directa da mente com o corpo. Os pensamentos e conceitos mais elevados podem ser traduzidos por simples imagens. Uma linguagem existencial onde a emoção é a sua substância e o mistério exprime a sua busca pelo fascínio da cor.
O meu trabalho insere-se na forma de uma peculiar consciência enaltecida e baseada na filosofia xamânica, irrompendo conceitos mágico-religiosos. O xamanismo como forma de expressão intensifica os meus pensamentos, materializando e interligando-os, deixando pulsar a energética crença do sentir espiritual. As palavras transfiguram-se e assumem configurações de cores quentes hermeticamente condensadas nos fundamentos do inconsciente.
A ambiguidade enigmática que visa o metafísico. A relação de essência e existência. Uma perspectiva quântica que suscita uma liberdade que transcende e se expande em todas as direcções através do gesto e da emoção. A conexão ao todo é a forma de existir e coexistir.
O sentimento subsistente que integra a essência divina na dimensão existencial.
Paula Cruz

Pintura matérica, tecida entre o grito e o sonho, o sangue e a terra, vinda dum não se sabe quando das raízes do mundo para uma visão cheia de luz na noite. Assim nos surgirá, num primeiro olhar, esta obra de Paula Cruz (Fernando Pernes, 2007).
Paula Cruz teve o dom de vários talentos. O da poesia, o da pintura, o dos seus filhos. O de ter sabido aprender coisas do mundo, viajante que é e foi até lugares longínquos, dentro e fora de si. E mais do que todos o de ter compreendido que tal como não se pode negar o talento que em si mesmo, se descobre, também não vale a pena expô-lo ao mundo antes que se faça dele meio de uma comunicação maior, mais alta, mais preciosa. Que se consuma na dádiva do que com ele se aprende (Bernardo Pinto de Almeida, 2003).

A pintura transforma-se num poemacto (para usar o título de Herberto Helder), numa manifestação do lirismo do autor a que neste caso não será alheio o facto de Paula Cruz ser, também, autora literária. De resto, parece haver nos seus carregados e violentos vermelhos e negros uma inspiração literária de matriz stendhaliana (Paulo Cunha e Silva, 2003).
